Destilando o veneno de novo
Em agosto completo seis humildes anos ensinando fotografia. Apesar do pouco tempo de atuação, afinal não passam de 2190 dias, tenho um tempo razoável de sala de aula e um sem número de alunos. Foram cinco anos lecionando na Unip, a instituição que me abriu as portas nesse segmento. Muitas turmas bem cheias, algumas atingindo 109 alunos. Ao mesmo tempo passei a lecionar em uma pequena e desagradável escola, a Techimage. Uma experiência excelente no quesito número de aulas e conheci bons amigos, já as relações e ambente de trabalho… Fui atrás de algo melhor e acabei numa escola tradicional de São Paulo, conhecida e admirada por mim e por muitos. Tentei ser aluno anos antes, não tive condições financeiras. Entrei como pude, trabalhando. Contratado pela Escola Panamericana de Arte me dediquei ao máximo para formar bons fotógrafos e entre mortos e feridos salvaram-se alguns. Ao final do primeiro ano recebi tapinhas nas costas do diretor e olhares invejosos dos colegas. Conhecendo o intestino dessa renomada instituição posso afirmar que pouco se aprende, pois quem lá ensina pouco sabe. O que vale, e nem tanto assim, é o salário um pouco acima da média. No final do meu segundo ano lecionando na EPA, mesmo com dois dos três melhores portfólios, o coordenador sabe se lá por que, uma vez que não fui informado, me demitiu. Eu sei por que, mas seria muita pretensão externar minha opinião. Esqueci de dizer que enquanto lá estava também fui contratado pelo Senac Scipiâo para o curso técnico. Hei, não perca a conta, mas ao mesmo tempo já havia aberto a Fullframe Escola de Fotografia com dois amigos. É isso mesmo, quatro empregos e muitas aulas das oito da manhã as dez da noite todos os dias. Cansei. Vivo num único lugar e parece que tenho menos tempo ainda.
Nesses anos todos, acredito que tenha ouvido todo tipo de desculpas para não produção de fotografias, arrogâncias de pseudo artistas que não conhecem o significado da palavra nem do fazer arte. Coordenadores sem condições de coordenar nem a própria agenda, quanto mais a de um curso ou escola. Hoje quero voltar a ser aluno de fotografia e não sei para onde ir, não existe no Brasil algo que preencha esse vazio. Um país que nos últimos dez anos tem um crescimento astronômico na produção fotográfica e um aumento significativo no número de fotógrafos (ou proprietários de câmeras?) não possui um curso com pessoas dotadas de conhecimento e didática suficientes para formar profissionais realmente dedicados com embasamento teórico e prático. É o que temos…






